Defensoria Pública recomenda a inclusão de quilombolas e população em situação de rua no grupo prioritário da vacinação contra a Covid-19

Defensoria Pública recomenda a inclusão de quilombolas e população em situação de rua no grupo prioritário da vacinação contra a Covid-19

29/01/2021 Notícias 0

As defensoras públicas Ana Paula Fischer e Bruna Guzzatti de Barros Vieira, que integram o Grupo de Apoio às Pessoas em Vulnerabilidade – GAPV, da Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina, enviaram nesta sexta-feira (dia 29) recomendação ao governador Carlos Moisés da Silva, e ao secretário estadual da Saúde, André Motta Ribeiro, para que os quilombolas e a população em situação de rua sejam inseridos como grupo prioritário no plano estadual de vacinação contra a Covid-19.

Na recomendação, as defensoras citam manifestação do Conselho Nacional de Saúde segundo a qual, para além das condições clínicas, os impactos da pandemia não são iguais para todas as pessoas e grupos sociais presentes na sociedade brasileira e que existe uma parcela significativa da população na qual este impacto é mais agressivo, como populações submetidas à vulnerabilidade socioeconômica – condições precárias de moradia; falta de acesso à água e saneamento básico; falta de acesso ou acesso precário ao sistema de saúde e a leitos de tratamento intensivo; bem como populações que têm suas formas de organização política, social e de sobrevivência peculiares – quilombolas, indígenas (aldeados, urbanos e acampados), ribeirinhas; população dos campos, águas, florestas, povos ciganos e população em situação de rua;

De acordo com as defensoras, os dados informados pelo Observatório da Covid-19 nos quilombos, gerido pela Conaq – Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos e pelo Instituto Socioambiental, confirmam que, desde o início da pandemia, houve 4.891 casos da doença no seio das

comunidades quilombolas, com 185 óbitos, uma taxa de mortalidade 17% superior à média nacional. Em Santa Catarina existem 21 comunidades quilombolas em 16 municípios, com 1.350 famílias e 4.595 pessoas.

Ainda segundo as defensoras, viver em situação de rua expõe as pessoas a diversas condições que aumentam a vulnerabilidade e os riscos à sua saúde, como recusa de acesso a políticas públicas, violências, privação de sono, depressão, estado constante de alerta, alimentação precária, pouca disponibilidade de água potável e péssimas condições de higiene, que geram agravamentos à saúde por vezes irreversíveis.