Privada de liberdade em Florianópolis, mulher é solta e obtém transporte para casa após atuação da Defensoria Pública

Privada de liberdade em Florianópolis, mulher é solta e obtém transporte para casa após atuação da Defensoria Pública

16/07/2021 Notícias 0

Todos os homens com quem A. se relacionou a enganaram, incluindo o pai, que dela abusou sexualmente ao longo de oito anos e foi pai-avô de alguns de seus seis filhos, todos eles entregues para adoção por sua mãe, que a expulsou de casa quando ainda era adolescente. A mulher de 50 anos, natural de Paranaguá e residente no norte de Santa Catarina, estava presa preventivamente no Presídio Feminino de Florianópolis, pelo que ela diz ter sido um golpe dado pelo ex-marido, na cidade de Sarandi, interior do Paraná.

“Sou analfabeta, não sei ler. Isso foi coisa do meu ex-marido. Só sei assinar o meu nome e ele me pediu para assinar uns documentos. Eu assinei sem ler”, disse ela na manhã de quarta-feira (14) ao Defensor Público Tauser Ximenes Farias, em exercício na 1ª Defensoria Pública da Capital, em uma das visitas semanais realizadas às unidades prisionais de Florianópolis para atendimento das pessoas privadas de liberdade, com o intuito de verificar se as necessidades básicas estão sendo atendidas (higiene, alimentação, saúde, ensino e trabalho) e prestando orientação jurídica.

Depois do atendimento, o Defensor Público entrou em contato com a Defensoria Pública do Paraná e conseguiu ter acesso aos autos do processo envolvendo a mulher. No caso, como não há Defensoria Pública instalada na comarca, verificou-se que ela está sendo atendida por uma segunda advogada dativa (a primeira renunciou após alguns meses), com quem o Defensor Público estabeleceu contato no mesmo dia e encaminhou certidão de atendimento presencial e relatório médico atualizado para fins de instruir pedido de liberdade. Como consta dos autos, A. foi presa por supostamente estar em local incerto e não sabido, em que pese desconhecer que contra si havia investigação criminal em curso. 

Hipertensa e diabética, A. teve há pouco mais de um mês um forte sangramento e foi prontamente atendida pela equipe de saúde do Presídio Feminino de Florianópolis. “Estou sendo bem assistida aqui”, disse. Trabalhando com reciclagem no Norte catarinense, ela conseguiu já adulta localizar os filhos, trazendo duas filhas com diagnóstico de esquizofrenia para com ela morar. “Nunca desisti deles, faz dois anos e pouco que encontrei a última filha”, contou. Com a sua prisão, um filho que mora em Araranguá/SC levou as irmãs para morarem com ele no sul do estado. Mas A., envergonhada, optou por não ver a família nas visitas virtuais que acontecem periodicamente na unidade prisional. “Não quero que os meus filhos me vejam aqui. Nunca pensei que isso fosse acontecer comigo”, explicou.

Na tarde de hoje (16), o Poder Judiciário concedeu liberdade para A. De imediato, a Defensoria Pública estabeleceu contato com o Conselho da Comunidade na Execução Penal da Capital e, por meio de uma atuação conjunta, garantiu-se o retorno seguro de A. para o norte catarinense, uma vez que se encontrava a 177 quilômetros de casa. “Eu morava numa casinha, nem sei se tenho ela mais. Mas se eu ganhar a minha liberdade, a gente recupera tudo”, disse ela.